O modernismo no Brasil foi uma quebra na hegemonia artística que predominava, e provocou uma ampla mudança na cultura e sociedade brasileira. Entender o movimento modernista, assim como suas características, é essencial para acompanhar as mudanças na sociedade e a própria história brasileira.

A era do modernismo no Brasil

O modernismo brasileiro começou em São Paulo em 1922 e durou várias fases até 1945. Em seus primórdios, foi principalmente uma revolução estética e cultural. Seu objetivo era derrubar uma mentalidade colonial em arte e letras que ignoravam amplamente as realidades nacionais para imitar as correntes estrangeiras nessas áreas. Não pretendia se limitar a São Paulo, ou a arte e letras, mas abraçar toda a nação e integrar atividades em todas as esferas. Foi bem sucedido em trazer uma vasta transformação na vida brasileira através de estudos nas artes e ciências, particularmente as ciências sociais. Na teoria e na prática, o grande líder do modernismo desde o seu início até o seu final foi Mário de Andrade, cuja morte em 1945 coincidiu com o fim do movimento.

Mudanças causas pelo movimento modernista brasileiro

O movimento não apenas modernizou o pensamento e a ação brasileiros, mas também revelou um Brasil mais integrado ao mundo. A nação tornou-se liberada, independente ao mesmo tempo em que continuou a adaptar materiais estrangeiros e a contribuir para a cultura mundial. A cultura regional, tradições, folclore e linguagem, incluindo as contribuições das principais raças do Brasil, adquiriram um novo significado nacional para os intelectuais brasileiros que os revitalizaram em suas obras, sejam elas criativas, acadêmicas ou críticas. Eles não mais sentiam que a vida cultural ou intelectual da metrópole era impossível, e muitos preferiam permanecer em seus estados nativos, em vez de se mudarem para a capital.

Características do movimento modernista no Brasil

Desde o início, havia uma ênfase constante não apenas na independência das letras brasileiras, mas também no valor estético e na autonomia de uma obra literária. A maioria das polêmicas do modernismo tratava de questões de forma e técnica, em vez de conteúdo, com o resultado de que autores brasileiros posteriores, talvez mais intencionais do que seus antecessores, geralmente eram marcados por um maior profissionalismo. Outra questão importante foi a de desenvolver estudos linguísticos e um português brasileiro adequado para fins literários. O tempo de amadorismo ou diletantismo de autores para quem a literatura era uma ocupação jovem ou de lazer havia passado. O modernismo foi um sopro de ar fresco para o academicismo. A despeito do problema de ganhar a vida, ainda grande para escritores no Brasil, muitos deles dedicaram seus talentos e energias exclusivamente ao seu trabalho do que no passado, quando outras ocupações ou atividades literárias periféricas ocuparam a maior parte de suas atividades.

Modernismo no Brasil

O modernismo brasileiro na literatura tem características únicas e que influenciaram muito a cultura e sociedade brasileira. (Foto: Portuguese Language Guide)

Uma certa reação contra o positivismo, a filosofia materialista que prevaleceu no Brasil no final do século XIX, em favor de valores mais espirituais, deu ênfase à reforma da poesia durante a primeira fase do modernismo. Depois de 1930, no entanto, a reforma se espalhou para prosa de ficção. O modernismo serviria como o catalisador necessário para a produção de algo novo a partir dos vários “ismos” com os quais os romancistas brasileiros já haviam experimentado. O resultado foi um regionalismo mais nacionalista, às vezes propagandístico como no início de Jorge Amado, às vezes documentário como no Ciclo da Cana-de-Açúcar de José Lins Do Rego ou nas obras posteriores de Amado do Ciclo do Cacau. O romance psicológico continuou a se desenvolver como com Érico Veríssimo ou, especialmente, Graciliano Ramos. Quanto ao conto, o modernismo abandonou o tipo bem feito à la Maupassant para peças evocativas, impressionistas, de fatia de vida, como aquelas que Ramos compunha. Mais uma vez, demorou algum tempo para que os problemas formais e linguísticos fossem resolvidos satisfatoriamente. A crônica brasileira, uma reação subjetiva a algum acontecimento ou situação atual, bem como a coluna de um jornal americano ou um ensaio informal de inglês, era uma solução altamente satisfatória, apesar de sua natureza um tanto circunstancial e transitória. Enquanto o modernismo tendia a evitar o histórico e o concreto para o espontâneo e o espiritual, procurou desenvolver trabalhos de valor universal duradouro.

O modernismo não foi, de forma alguma, um movimento completamente unificado, mas nos primeiros anos todas as reações e contra-reações foram centralizadas em São Paulo. Então dois modernismos relacionados, mas diferentes, se desenvolveram em outras partes do país. O primeiro, a partir de 1926, em Recife, foi o regionalismo, e o segundo, o grupo “Testa” ou espiritualista, iniciado em 1927 no Rio de Janeiro. Ambos eram tradicionalistas e conservadores, especialmente os últimos, católicos de inspiração e hostis aos escritores de São Paulo. O principal objetivo de um deles era basear o modernismo mais profundamente nas tradições culturais, principalmente as do Nordeste; a do outro era estruturar sua estética ao longo de linhas mais clássicas. Nenhum objetivo correspondia muito bem ao do modernismo, o que deu origem a numerosas polêmicas. Enquanto o regionalismo permaneceu em grande parte desconhecido fora do Recife, o segundo grupo, tendo se originado na capital, ganhou fama nacional imediatamente. Ambos tinham estadistas mais velhos, Gilberto Freyre e Tasso da Silveira, respectivamente, cada um dos quais desejava ser o novo Mário de Andrade e estabelecer o domínio de seu grupo.

Espalhando o movimento modernista pelo Brasil

Quando o modernismo chegou ao Nordeste, abandonara sua abordagem puramente estética e já havia adquirido alguma direção política, esquerdista ou direitista. Entre 1925 e 1927, o modernismo parecia ser de esquerda, e os escritores de Recife viam uma necessidade real de reafirmar os valores culturais do Nordeste. No entanto, os modernistas ainda estavam fundamentalmente preocupados com a literatura e as artes plásticas, enquanto os futuros regionalistas enfatizavam a cultura em um sentido mais amplo e popular – por exemplo, culinária, artesanato e afins – por algum tempo. O nascimento de uma literatura nordestina moderna deve, portanto, pelo menos tanto a São Paulo em seus estágios iniciais quanto a Recife. O regionalismo e o modernismo eram complementares, afinal, diferiam apenas em graus de tradicionalismo e cosmopolitismo. No entanto, o regionalismo foi elaborado por Freyre principalmente como antimodernista, em grande parte para provar sua independência. O regionalismo estava, de fato, desfrutando de seu período mais brilhante nas décadas de 1930 e 1940, com o florescimento do romance do Nordeste, que seguia um programa já proposto em 1922 pelos modernistas, que haviam realizado uma revolução literária. Entre seus proponentes brasileiros, os nordestinos foram os membros mais significativos a participar da revolução por meio de cartas. A nacionalização da literatura durante a fermentação da década de 1920 resultou na polarização política de nordestinos e paulistas, que aderiram a partidos políticos nacionalistas de ambos os extremos. O modernismo dependia fortemente do regionalismo para alcançar seu programa de nacionalização.

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