A poesia concreta é um arranjo de elementos linguísticos nos quais o efeito tipográfico é mais importante na transmissão de significado do que de significado verbal. Às vezes é chamado de poesia visual, um termo que agora desenvolveu um significado distinto. A poesia concreta relaciona-se mais às artes visuais do que às verbais, embora exista uma considerável sobreposição no tipo de produto a que se refere.

Historicamente, no entanto, a poesia concreta se desenvolveu a partir de uma longa tradição de poemas modelados ou padronizados, nos quais as palavras são organizadas de maneira a representar seu sujeito. No Brasil, uma dessas formas se dá pelo poema/processo, mas precisamos conhecer o concretismo e o neoconcretismo dos quais a poesia concreta faz parte.

O que é a poesia concreta?

Existem poucos movimentos artísticos do século XX que floresceram por mais de quarenta anos, inspiraram artistas em pelo menos uma dúzia de países e até se tornaram o estilo semioficial em várias cidades da América Latina. A ambição da arte concreta era sincronizar a arte abstrata com os valores racionalizados de uma sociedade moderna e bem planejada.

Os artistas procuravam estabelecer vínculos com a indústria e a tecnologia. Eles acreditavam que as formas de arte deveriam ser universalmente apreensivas, baseadas não na intuição pessoal, mas em regras pré-estabelecidas. Na prática, no entanto, a arte concreta demonstra como é difícil isolar ambições impessoais e fundamentadas de todas as outras facetas da experiência humana, incluindo às vezes caprichosas e irracionais.

O termo foi cunhado pelo artista holandês Theo van Doesburg (1883–1931). Em 1930, ele fundou a revista Art Concret, na qual defendia que a pintura deveria significar nada além de si mesma, porque “nada é mais concreto, mais real do que uma linha, uma cor, um avião”. Essa premissa literalista sustenta toda a arte concreta, e antecede em mais de trinta anos a defesa de princípios semelhantes pelos minimalistas.

O que é o Poema/Processo?

O movimento artístico do poema/processo é decorrente do concretismo, durando de 1967 até 1972. O objetivo do grupo que lançou o movimento era a criação de um objeto artístico que fosse reprodutível, atendendo ás necessidades de informação e comunicação das massas. A ideia era pautar o movimento na lógica do consumo imediato.

Acima de tudo, o Poema, no Poema/Processo, é ampliado e inclui outras performances artísticas como passeatas, desenhos, pinturas, performances artísticas, etc.

Poema processo

O poema processo mistura elementos visuais na escrita, expressando os mais diversos sentimentos. (Foto:
Antonio Miranda)

Concretismo e Neoconcretismo

Além de algumas iniciativas estéticas ousadas, como as de Fiori e Carvalho, o cenário artístico brasileiro das décadas de 1930 e 1940 foi dominado pelo retorno internacional à ordem. Sinais de mudança começaram a aparecer no final da Segunda Guerra Mundial. Não apenas houve uma nova geração de artistas que buscava reviver certos movimentos da vanguarda européia, mas também surgiram novas instituições de arte.

Em São Paulo, em 1947, foi criado o Museu de Arte (MASP), com foco em coleções e exposições de produção artística em geral; em 1949, naquela mesma cidade, o “antigo” Museu de Arte Moderna. Em 1948, no Rio de Janeiro, foi inaugurado o Museu de Arte Moderna. No início da década seguinte, em 1951, foi realizada a primeira Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Os fundadores dessas novas instituições compartilharam o objetivo de internacionalizar o Brasil. Esse objetivo está refletido no título da exposição inaugural no “velho” Museu de Arte Moderna de São Paulo: “Da Figuração ao Abstracionismo”. Organizada pelo crítico belga Leon Degand, primeiro diretor do museu, a exposição apresentou ao público brasileiro uma fato supostamente irrefutável: que a arte estava avançando “naturalmente” do figurativo para o abstrato.

Apesar dos protestos de vários artistas renomados e de outras figuras públicas, essa visão ganhou o apoio da maioria dos artistas e críticos locais.16 No vigoroso debate que se seguiu sobre qual direção não figurativa os jovens brasileiros devem tomar, tendências construtivas inicialmente emergiram vitoriosas, sua abordagem racionalista despertando interesse em artistas e intelectuais.

É verdade que, no início dos anos 50, o país estava começando a experimentar um rápido desenvolvimento, entendido por muitos como a oportunidade final para a nação alcançar a modernidade. Assim, a dimensão projetiva, visível na produção de Ruptura e Frente, dois grupos concretistas, foi adequada ao clima de transformação no Brasil, que alcançaria seu auge com a inauguração de Brasília, a nova capital, em São Paulo. 1960.

O movimento da arte do concreto sofreu um choque em 1959, quando a arte neoconcreta surgiu em reação à sua ortodoxia. Se os concretistas pretendiam transformar o futuro, os neoconcretistas desejavam estabelecer no Brasil uma arte que transformaria o presente. As obras de Hélio Oiticica, Lygia Pape e Lygia Clark receberiam amplo reconhecimento internacional por reformular e superar os preceitos idealistas da Arte Concreta, abrindo novas possibilidades para a arte. Acredito, no entanto, que o movimento concreto do Brasil não deve ser considerado apenas como o cenário do neoconcretismo. Os efeitos da experiência concreta no Brasil dificilmente podem ser superestimados.

O concretismo surgiu como uma alternativa à arte moderna nacionalista que dominava o Brasil desde a década de 1920 e adotava três propósitos e temas sobrepostos: a formação de mitos de identidade; a elevação do trabalhador como símbolo nacional; e a condenação dos males sociais do país. Mesmo que esses temas estivessem ligados a estruturas composicionais racionais (lembre-se de Tarsila do Amaral e Cândido Portinari), os concretistas encaravam especificamente o assunto brasileiro como um obstáculo à realização de uma arte transformadora. Ao escolher um caminho do racionalismo construtivista, os concretistas acreditavam que estavam afastando a arte brasileira do localismo e buscando paradigmas objetivos e universais.

Como primeira consequência dessa postura, eles desenvolveram obras que despertaram o público para elementos próprios apenas das próprias obras de arte. Eles direcionaram a atenção para o fato de que a pintura, mesmo que emanasse um rigor que pudesse ser estendido à vida, consiste exclusivamente em plano, linha e cor.

Se os trabalhos dos modernistas se referiam consistentemente a questões externas, os concretistas enfatizavam a realidade estrutural de suas produções e a relação direta que estabeleceram com o espectador, não mediada por conceitos separados da própria arte. Essa relação sublinhou a importância do “aqui e agora” e do ato de ver. O movimento concreto introduziu no Brasil as bases formais do modernismo internacional. O estabelecimento desse novo modo exigia que os membros do grupo radicalizassem suas posições – estipulando métodos e procedimentos aos quais todos os seguidores deveriam aderir. Foram precisamente essas regras rígidas que geraram a ruptura neoconcretista e contribuíram para o fim do movimento.

Como apontou o crítico Ronaldo Brito, duas tendências distintas surgiram na Arte Neoconcreta e ambas tinham fortes conexões com a Arte Concreta: em uma, que inclui as produções de Willys de Castro, Hércules Barsotti e, “até certo ponto Amílcar de Castro, ele detecta “uma sensibilização da obra de arte”, significando “um esforço para preservar sua especificidade”; no outro, exemplificado pela arte de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape, ele encontra um impulso que, “consciente ou não, buscava quebrar os postulados construtivistas. . . ”Um tipo de produção que efetuou uma“ dramatização da obra, sua razão de ser e que pôs em xeque o estatuto estabelecido no art. ”17

Pode-se dizer que os neoconcretistas injetaram conteúdo semântico na estrutura formal da arte concreta. Se na tensão neoconcreta “sensível”, o conteúdo era mantido dentro dos limites da produção artística autorreferencial, na tensão “dramática”, o conteúdo era explodido tanto na dimensão autorreferencial quanto na concentração focada na percepção do espectador . Oiticica, Clark e Pape propuseram uma relação total entre obras de arte e espectador, arte e vida.

Embora o neoconcretismo tenha perpetuado os triunfos mais radicais do legado do concreto, o declínio da ortodoxia do movimento anterior incentivaria o surgimento de outros novos desenvolvimentos artísticos no Brasil, dois deles os respectivos produtos dos ex-líderes do movimento concreto, Waldemar Cordeiro e Maurício Nogueira Lima.

Poema/Processo: exemplos

Alguns dos exemplos de poema/processo:

DADÁ PRA CÁ, DADÁ PARA LÁ

leia JOYCE como se estivesse lendo KAFKA

veja FELLINI como se estivesse vendo MIZOGUCHI

ouça MOZART como se estivesse ouvindo

COLTRANE

use REMBRANDT como se estivesse usando

DUCHAMP

leia JOYCE como se estivesse ouvindo COLTRANE

ouça MOZART como se estivesse vendo

MIZOGUCHI

veja ZILA MAMEDE como se estivesse usando

KAFKA

use REMBRANDT como se estivesse sonhando com

BACHELARD

ouça JOYCE como se estivesse ouvindo ANTONIONI

assuma JOSÉ BEZERRA GOMES como se estivesse

como se estivesse

metaplagiando FALVES SILVA

e JOTA MEDEIROS

e AVELINO DE ARAÚJO

e ANCHIETA FERNANDES

e DAILOR VARELA

e JORGE FERNANDES

ao som de PEDRO OSMAR e HERMETO PASCOAL

e CLÁUDIO MONTEVERDI

CORRENTEZA EM NOITE DE LUA VERMELHA

Este poema azul e azulência,

em sendo divulgado nos próximos 13 dias,

resultará,

para aquele ou aquela que o fizer,

em

cinco auroras sonolentas

quatro manhãs arrepiadas

três tardes atrevidas

dois crepúsculos cansados

um poema docemente encantado

docemente encarnado.

Quem não o divulgar,

dele tomando conhecimento,

será condenado

ao fogo eterno da paixão

em noite de lua vermelha,

nas cercanias do Poço de Santana,

com suas águas cantantes

e suas surpresas cortantes.

POEMV 321

três poemas de josé bezerra gomes incomodam

muita gente

dois poemas concretos incomodam muito mais

dois poemas concretos incomodam incomodam

muita gente

um poema/processo incomoda muito mais

muito mais

muito mais

COM ESTHER WILLIAMS

1. Um sonho.

2. Um sonho com Maria.

3. Um sonho com Maria Antonieta.

4. Um sonho com Maria Antonieta Pons.

5. Um sonho com Maria Antonieta Pons, no Cinema.

6. Um sonho com Maria Antonieta Pons, no Cinema Pax.

7. Um sonho com Maria Antonieta Pons, no Cinema Pax, de Caicó.

8. Um sonho com Maria Antonieta Pons, no Cinema Pax.

O. Um sonho com Maria Antonieta Pons, na Praça.

1. Um sonho com Maria Antonieta Williams.

2. Um sonho com Maria Antonieta Pons, na Praça.

3. Um sonho com Maria Antonieta Pons, na Praça Azul.

4. Um sonho com Maria Antonieta Pons, na Praça da Liberdade.

5. Um sonho com Maria Antonieta Pons e Esther Williams, em Caicó.

Ficou alguma dúvida sobre o Poema/Processo para seus estudos? Deixem nos comentários suas perguntas!

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